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cinema | 16/03/11 Fantasporto - Do Porto e com orgulho Bernardette Capelo-Pereira O Fantasporto terminou no dia 5, em pleno Carnaval. Tudo como estava planeado – o programa, uma longa listagem de filmes e eventos – tem 17 páginas. A relevância do festival está toda aí, e aponto alguns factos e números oficiais... 1 - 307 filmes (com 59 sessões totalmente gratuitas), vindos de todo o mundo. 2 - 300 convidados, metade vindos do estrangeiro, e 80% dos realizadores dos filmes a concurso a apresentar os seus filmes em palco. 3 - Comunicação Social em reportagem e/ou acreditada com números impressionantes – é a Cision que o diz: 63 jornais, 44 canais de televisão, 23 rádios, 88 portais net, nacionais e internacionais (Espanha, França, Finlândia, Itália, Hungria, Holanda, Estados Unidos, Alemanha) 4 - 242 filmes inéditos – ou seja, nunca vistos em Portugal – muitos nunca mais serão mostrados... 5 - 89% de cinema europeu, sendo que 90 filmes eram portugueses. 6 - "Upgrades" (ou inovações desta 31.ª edição) – Com relevo, sem dúvida, para o sucesso que foi o Programa Especial Artes Plásticas e Cinema: a) Produção de 17 novos documentários (em colaboração com a Universidade do Porto e a Universidade Católica) sobre alguns dos mais relevantes artistas plásticos portugueses, a saber: José Rodrigues, Júlio Resende, Armando Alves, Zulmiro de Carvalho, Paulo Neves, Francisco Laranjo, António Joaquim, Ludmila, Fernando Pinto Coelho, Nazaré Álvares, Agostinho Santos, Alberto Péssimo, Quadros Ferreira, Catarina Machado, Augusto Canedo, Alberto Carneiro, Albuquerque Mendes. b) O Rivoli cheio de Arte com uma exposição de ilustração e gravura, um ateliê com workshops e muitos artistas por lá. Debates sobre os artistas e o panorama das Artes Plásticas com gente como o director da Bienal de Cerveira, o director da Faculdade de Belas Artes, curador da Fundação de Serralves, directora do Museu Soares dos Reis e alguns artistas plásticos. Muitas verdades se deram e muitas pistas para a internacionalização da arte portuguesa. c) Uma conferência sobre a «Cena Internacional e como o Cinema Português pode tornar-se mais competitivo», com dois representantes de duas das maiores publicações internacionais da indústria do cinema (Variety and International Film Guide), esta conferência apontou todos os problemas do cinema nacional, o seu divórcio do público e indicou caminhos para a sua melhor promoção. Um debate que se mostrou fundamental para o caminho a seguir para o cinema que cá se faz. d) Dois prémios novos para o Cinema Português (melhor filme e melhor jovem realizador), que fizeram melhorar a qualidade dos filmes portugueses apresentados. 7 - Registe-se ainda programas de música, teatro, humor, um baile dos Vampiros cheio de mascarados para rematar e um dos directores a falar da excessiva centralização do poder e do dinheiro em Lisboa. 8 - O Fantasporto continua com uma imagem internacional a toda a prova – para o conhecer há que vir ao Rivoli e muitos falam sem o conhecer, chamando-lhe "festival de terror" (este ano, filmes fortes foram 10% e nestes números estão as retrospectivas dos clássicos de Lon Chaney, Vincent Price, Christopher Lee e outros dos anos 40 e 50). O resto, de géneros diversos, foi 242 filmes – onde está a tradicional imagem do Fantasporto? Para mim só existe na imprensa sensacionalista. E naquela Comunicação Social de lobby que quer denegrir a imagem do evento portuense. Há 21 anos que somos um festival generalista, mais vincadamente depois da introdução da Semana dos Realizadores patrocinada por Manoel de Oliveira. Note-se que o nosso veterano realizador veio ver as sessões dedicadas ao pioneiro Méliès e de Renoir. Poderia falar dos números de espectadores que esgotaram bastantes sessões, mas os números finais ainda não foram apurados. 9 - Há quem diga (noutros festivais, claro) que quando os espectadores saem da sala, dizendo que não gostam do filme, é porque o festival é muito bom e os filmes que apresentam não são para todos... No Fantasporto, gostamos que as pessoas fiquem até ao fim. Porque gostam dos filmes e confiam na qualidade da nossa programação, mesmo quando são desconhecidos. Assim, os números deste ano vão ser, certamente, muito bons. Como sempre. Porque para além do que se passa na sala, há sempre muitas outras actividades paralelas. E isso também é festival. 10 - Que raiva faz o Fantas por aí... Viva a Cultura Portuguesa! Viva o Cinema! Viva o Fantasporto! Viva o Porto! Ver mais